Creatina faz mal para os rins? Entenda o que a ciência realmente mostra
A creatina é um dos suplementos mais estudados do mundo, mas ainda existe receio de que ela possa prejudicar os rins. Entenda por que a creatinina pode aumentar, quem precisa de cuidado e quando vale investigar a função renal.
Mais de 30 anos de experiência e mais de 10 mil pacientes atendidos. Consulta presencial no Rio de Janeiro e atendimento online.
Quero consultar com o Dr. Noé
Resposta rápida
Nas doses habituais estudadas, a creatina monohidratada não demonstrou prejudicar a função renal de pessoas saudáveis. Ela pode aumentar discretamente a creatinina no sangue sem que isso signifique lesão renal. Pessoas com doença renal, exames alterados ou fatores de risco devem usar apenas após avaliação médica.
Definição
Creatina é uma substância produzida naturalmente pelo organismo e armazenada principalmente nos músculos. Parte dela se transforma em creatinina, um marcador usado em exames para estimar a função renal.
Creatina faz mal para os rins?
Em pessoas saudáveis, estudos controlados e revisões sistemáticas não demonstraram redução significativa da taxa de filtração glomerular com o uso de creatina nas quantidades habitualmente estudadas.
O receio existe porque a creatina pode aumentar a creatinina sanguínea. Como esse exame é usado para estimar a função renal, o resultado pode parecer pior mesmo quando não houve dano estrutural aos rins.
Creatinina mais alta não significa automaticamente lesão renal. É preciso considerar massa muscular, suplementação, hidratação, alimentação, medicamentos e outros exames.
Por que a creatina pode aumentar a creatinina?
Uma pequena parte da creatina presente no organismo é convertida espontaneamente em creatinina. Quando os estoques corporais aumentam com a suplementação, pode haver maior produção desse marcador.
Isso pode reduzir artificialmente a taxa de filtração estimada calculada a partir da creatinina, sem que a filtração real tenha piorado. A interpretação deve ser feita dentro do contexto clínico.
Creatinina alta significa que os rins estão lesionados?
Não necessariamente. A creatinina é influenciada pela função renal, mas também pela quantidade de massa muscular, alimentação, treino físico, hidratação e uso de creatina.
Pessoas musculosas ou que treinaram intensamente antes da coleta podem apresentar valores maiores. Por isso, um resultado isolado não deve ser interpretado sem comparação com exames anteriores e outros marcadores.
Como diferenciar aumento da creatinina de lesão renal?
O médico pode analisar o conjunto dos dados:
- valores anteriores de creatinina e tendência ao longo do tempo;
- taxa estimada de filtração glomerular;
- ureia, eletrólitos e exame de urina;
- presença de proteína ou sangue na urina;
- pressão arterial, diabetes e histórico familiar;
- medicamentos e suplementos utilizados;
- massa muscular, treino recente e hidratação.
Em situações específicas, a cistatina C ou fórmulas que combinam creatinina e cistatina C podem ajudar a estimar a função renal com menor influência da massa muscular e da suplementação.
Quais exames podem ser avaliados?
Dependendo da idade, dos fatores de risco e do histórico clínico, o médico pode considerar:
- creatinina e taxa estimada de filtração glomerular;
- ureia e eletrólitos;
- exame de urina;
- relação albumina/creatinina urinária;
- cistatina C em situações selecionadas;
- ultrassonografia quando houver indicação clínica.
Não existe um pacote obrigatório para todos. Uma pessoa jovem, saudável e sem fatores de risco pode não precisar do mesmo acompanhamento de quem apresenta hipertensão, diabetes ou doença renal.
Seus exames renais estão alterados?
Uma avaliação individual ajuda a diferenciar o efeito da suplementação de uma alteração que realmente exige investigação.
Quem precisa de mais cuidado antes de usar creatina?
A avaliação profissional é particularmente importante para:
- pessoas com doença renal conhecida;
- creatinina persistentemente elevada sem explicação;
- proteinúria, hematúria ou alterações no exame de urina;
- pessoas com diabetes ou hipertensão arterial;
- pessoas com doença cardiovascular;
- histórico de cálculos renais recorrentes;
- idosos frágeis ou pessoas com risco de desidratação;
- uso frequente de anti-inflamatórios ou outros medicamentos que podem afetar os rins;
- uso de doses elevadas ou combinação de vários suplementos.
Quem tem doença renal pode tomar creatina?
Pessoas com doença renal não devem iniciar creatina por conta própria. A segurança depende do diagnóstico, do estágio da doença, da presença de proteína na urina, dos medicamentos utilizados e do objetivo da suplementação.
Os dados em pessoas com doença renal são mais limitados do que em indivíduos saudáveis. Por isso, o médico precisa avaliar se existe benefício suficiente para justificar o uso e como será feito o acompanhamento.
A segurança demonstrada em adultos saudáveis não deve ser automaticamente aplicada a pacientes com doença renal crônica.
Creatina causa pedra nos rins?
Não há evidência consistente de que a creatina monohidratada, nas doses usuais, provoque cálculos renais em pessoas saudáveis.
Entretanto, quem já teve pedras nos rins, apresenta alterações metabólicas urinárias, consome pouco líquido ou utiliza outros suplementos deve conversar com o médico.
A formação de cálculos depende de vários fatores, incluindo:
- volume urinário;
- ingestão de sódio;
- consumo de proteínas;
- eliminação de cálcio e oxalato;
- ácido úrico;
- pH da urina;
- predisposição individual.
É necessário beber muita água ao tomar creatina?
A creatina não obriga a pessoa a consumir volumes exagerados de água. O objetivo é manter hidratação adequada ao clima, atividade física, alimentação, função renal e condições cardíacas.
Forçar litros de água sem necessidade também pode ser inadequado. A quantidade ideal deve ser proporcional às necessidades individuais.
Qual dose de creatina é considerada habitual?
A creatina monohidratada é a forma mais estudada. Muitos protocolos utilizam doses diárias entre 3 e 5 gramas, embora a quantidade adequada possa variar conforme peso corporal, alimentação, objetivo e orientação profissional.
Doses muito maiores não significam resultados melhores e podem aumentar o risco de desconforto gastrointestinal ou dificultar a interpretação de exames.
É preciso fazer fase de saturação?
Não. A fase de saturação utiliza quantidades maiores de creatina por alguns dias para aumentar os estoques musculares mais rapidamente.
O uso contínuo em dose habitual também aumenta os estoques musculares, apenas de forma mais gradual. Para muitas pessoas, esse esquema é mais simples e causa menos desconforto gastrointestinal.
Precisa suspender a creatina antes do exame de sangue?
Nem sempre. Em algumas situações, suspender temporariamente pode ajudar a identificar quanto a suplementação está interferindo na creatinina, mas essa decisão deve ser combinada com o médico.
O mais importante é informar ao profissional e ao laboratório:
- que está usando creatina;
- qual é a dose diária;
- há quanto tempo utiliza;
- se treinou intensamente antes da coleta;
- quais outros medicamentos e suplementos utiliza.
Treinar antes do exame pode alterar a creatinina?
Exercícios intensos, principalmente musculação pesada, podem alterar temporariamente creatinina e outros marcadores musculares. Desidratação associada ao treino também pode influenciar o resultado.
Quando o objetivo é avaliar a função renal com maior precisão, o médico pode orientar repouso adequado, hidratação habitual e evitar treino intenso antes da coleta.
Creatina pode ser usada com dieta rica em proteínas?
Em pessoas saudáveis, estudos não demonstraram prejuízo renal apenas pela combinação de creatina com uma ingestão maior de proteínas dentro de uma estratégia acompanhada.
Entretanto, excesso de proteínas, uso simultâneo de vários suplementos e presença de doença renal modificam a avaliação. O consumo deve ser individualizado conforme necessidades, composição corporal e exames.
Creatina pode ser usada junto com medicamentos?
A resposta depende do medicamento e da condição clínica. Merecem atenção especial pessoas que utilizam:
- anti-inflamatórios com frequência;
- diuréticos;
- medicamentos que alteram a hidratação;
- medicamentos potencialmente nefrotóxicos;
- tratamentos para pressão alta, diabetes ou doença renal;
- vários suplementos simultaneamente.
Isso não significa que as associações sejam sempre proibidas, mas o conjunto precisa ser analisado.
Usa creatina e ficou preocupado com a creatinina?
Leve seus exames anteriores, a dose utilizada e a lista de medicamentos para uma avaliação individualizada.
Perguntas frequentes
Creatina faz mal para os rins?
Em pessoas saudáveis, as doses habituais estudadas não demonstraram redução da função renal. Quem tem doença renal ou fatores de risco precisa de avaliação individual.
Creatina aumenta a creatinina?
Pode ocorrer aumento discreto sem que isso represente necessariamente uma lesão renal. O resultado precisa ser interpretado junto com outros exames e com o histórico clínico.
Quem tem doença renal pode usar creatina?
Não deve iniciar por conta própria. A decisão depende do diagnóstico, do estágio da doença, dos exames, dos medicamentos e do objetivo da suplementação.
Creatina causa pedra nos rins?
Não há evidência consistente de aumento do risco em pessoas saudáveis nas doses habituais, mas histórico de cálculos exige avaliação individual.
É preciso fazer exames antes de usar creatina?
Nem sempre. A avaliação é especialmente importante quando existem diabetes, hipertensão, doença renal, exames alterados ou uso de medicamentos que podem afetar os rins.
Precisa suspender a creatina antes do exame?
Não necessariamente. A decisão depende do objetivo da investigação. O uso de creatina, a dose e o tempo de uso devem ser informados ao profissional.
Qual é a forma de creatina mais estudada?
A creatina monohidratada é a forma com maior quantidade de estudos sobre eficácia e segurança.
Referências
Fontes científicas
- Kreider RB et al. International Society of Sports Nutrition position stand: safety and efficacy of creatine supplementation in exercise, sport, and medicine.
- Antonio J et al. Common questions and misconceptions about creatine supplementation: what does the scientific evidence really show?
- De Souza e Silva A et al. Effects of creatine supplementation on renal function: a systematic review and meta-analysis.
- Naeini EK et al. Effect of creatine supplementation on kidney function: systematic review and meta-analysis.
- Lugaresi R et al. Long-term creatine supplementation does not impair kidney function in resistance-trained individuals consuming a high-protein diet.
Use suplementos com segurança e acompanhamento individualizado
Consulta com o Dr. Noé, presencial no Rio de Janeiro ou online. Escolha um horário ou fale com nossas atendentes.